Machosfera é tema de estudo apresentado por pesquisadoras do Transverso no Uruguai

Fernanda e |Terezinha apresentam trabalho sobre Machosfera em congresso no Uruguai

As discussões sobre os impactos da machosfera na sociedade têm crescido nos últimos anos, especialmente na pesquisa acadêmica. A esfera masculinista da internet, reconhecida por discursos misóginos e sexistas, também é objeto de estudos no Transverso. As pesquisadoras Fernanda Nascimento (PUCRS-RS) e Terezinha Silva (UFSC-SC) apresentaram, em novembro, o paper  “Machosfera contra Maria da Penha: estratégias discursivas e repercussão do documentário produzido pela Brasil Paralelo” durante o u In[ter]disciplinadæs: Congresso Latinoamericano de Estudios Feministas del Sur, realizado em Montevideo, no Uruguai. O trabalho foi exposto e discutido no simpósio “Agendas antigénero, discursos neoconservadores y resistencias feministas en redes sociales y medios digitales”.

A pesquisa apresentada por elas analisou as estratégias utilizadas pela produtora de audiovisual Brasil Paralelo no documentário O Caso Maria da Penha. Investigado por prática de desinformação, o documentário coloca em suspeição as duas tentativas de feminicídios sofridos pela militante feminista Maria da Penha e endossa a versão do ex-marido condenado pelos crimes. A produção tem se disseminado pelas redes sociais e espaços masculinistas e tem sido utilizada como argumento para atacar a Lei Maria da Penha, principal legislação de proteção aos direitos das mulheres no país.

Além de analisar o documentário, o artigo também estuda e discute a circulação do conteúdo, a partir das interações da audiência do videocast Red Cast – um dos principais produtos da machosfera brasileira atualmente no youtube.

O estudo faz parte de projeto de pesquisa mais amplo, coordenado por pesquisadoras da Universidade Complutense de Madrid. Terezinha e Fernanda também integram o projeto, denominado “La Manosfera en las redes sociales: produsage cultural para revertir los estigmas de género y la cultura del odio”, que conta com financiamento da União Europeia e Ministério de Ciência e Tecnologia da Espanha. Nos próximos meses, as pesquisadoras do Transverso irão submeter uma versão do artigo à revista científica da área da comunicação.