Na semana do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, comunidade se mobiliza em Florianópolis

“Catarina, presente!”, gritavam parentes, amigos, professores e estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em homenagem à Catarina Kasten, assassinada na sexta-feira (21) na praia do Matadeiro, em Florianópolis. O ato, organizado coletivamente, começou às 10h30 da segunda-feira (24), concentrando os presentes no varandão do Centro de Comunicação e Expressão (CCE) para confeccionar cartazes e mensagens de protesto contra o feminicídio.
Catarina era mestranda no Programa de Pós-Graduação em Inglês (PPGI/UFSC) e pesquisava sobre ensino crítico da língua inglesa por meio da formação dos professores. A colega Eliani Ventura compartilhou que o tema da pesquisa da amiga representava a sua paixão pelo estudo, pela missão de ensinar e pela UFSC. Seu envolvimento com o curso era tão forte que, conforme a coordenadora do PPGI, Alinne Fernandes, Catarina Kasten dará nome à sala de estudos do programa, que está sendo reformada – uma iniciativa encabeçada pela própria estudante.
Durante a manifestação, Alinne também leu uma carta da orientadora de Catarina, a professora Priscila Farias, que não pôde estar presente. Priscila relembrou a alegria e carisma da mestranda, refletidos na “sede de vida” da jovem, sempre engajada politicamente na defesa dos direitos das mulheres e no combate à violência. “Que a nossa união possa simbolizar a luta de Catarina, mesmo em tempos tão brutais e difíceis”.
O companheiro da vítima, Roger Filipe Gusmão, se emocionou ao recordar o cotidiano com Catarina, em especial, a dedicação à natação e a paixão pela natureza. Catarina e Roger tinham planos de conquistar a casa própria e fortalecer o relacionamento. “Florianópolis era o nosso sonho. Agora, não vejo a hora de ir embora daqui”. Ele também relatou que a parceira considerava a cidade “o lugar mais seguro do mundo”.

Ainda durante o protesto, Sofia Garcia, da coordenação-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), leu o nome das dez mulheres assassinadas em Santa Catarina em novembro. A estudante destacou que, no estado, não existe Delegacia da Mulher que funcione 24 horas por dia e cobrou mobilização política para reforçar a garantia dos direitos da mulher em SC.
O DCE também liderou o cortejo e os gritos de “justiça por Catarina” pela UFSC. Durante cerca de meia hora, as e os manifestantes passaram pelo Centro de Ciências da Educação (CED) e pelo Centro Tecnológico (CTC), lugares frequentados pela estudante. As faixas, confeccionadas durante a concentração no CCE, davam o tom do protesto: “Nem uma a menos”, “Basta de feminicídio” e “Somos todos Catarina”.

No fim da homenagem, o companheiro e colegas da vítima – auxiliados pelo estudante de Agronomia Breno Yasuda – plantaram, em frente ao CCE, flores e uma árvore para eternizar Catarina. A muda escolhida foi o manacá-da-serra, planta nativa da Mata Atlântica, que produz grandes flores brancas e rosas entre o fim da primavera e o verão.
As mobilizações continuam ao longo da semana. Foram distribuídos pins de laços pretos aos estudantes para simbolizar o luto da jovem. Nesta terça-feira (25), Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, um novo ato por justiça para Catarina e pelo fim do feminicídio acontece às 17h30 no Terminal Integrado do Centro (TICEN).
Texto: Maitê Silveira e Raissa Hübner, alunas do Jor/UFSC.