Wagner Concha defende tese sobre a responsabilização pelo rompimento da barragem em Brumadinho no discurso midiático

O doutorando do PPGJOR/UFSC e integrante do Transverso Wagner Rodrigo Concha teve aprovada, na quarta-feira (22), a tese que desenvolveu durante a pesquisa de doutorado, que aborda o processo de responsabilização pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG) na narrativa de mídias hegemônicas e mídias dos atingidos. O rompimento da barragem aconteceu em 25 de janeiro de 2019, provocou a morte de 272 pessoas,  impactos socioambientais em 26 municípios ao longo da Bacia do Rio Paraopeba. Até hoje, as consequências do acontecimento repercutem e aguardam soluções de agentes e organizações públicas e privadas envolvidas.

A banca de defesa, realizada de forma virtual, teve a participação dos professores Márcio Simeone (UFMG) e Carlos Locatelli (UFSC) e da professora Denise Prado (UFOP), além da professora Terezinha Silva, orientadora da pesquisa. 

Por meio dos aportes teóricos das noções de acontecimento e da comunicação na esfera pública, o pesquisador investigou como se dá o processo de responsabilização pelo rompimento da barragem, no qual estão envolvidas as organizações privadas Vale (mineradora proprietária da mina) e TÜV Süd (certificadora alemã que havia atestado a estabilidade da estrutura antes do seu colapso). Foram analisadas 238 notícias (214 do site do Estado de Minas, dez do site do Frankfurter Allgemeine Zeitung, e 14 do site do Süddeutsche Zeitung).Também foram analisadas duas notícias do site da Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem em Brumadinho (Avabrum) e uma revista publicada pela associação, bem como dez edições de jornais produzidos por assessorias técnicas independentes (ATIs), publicadas entre 2019 e 2025.

Durante a defesa, o pesquisador argumentou que a responsabilização é um fenômeno restrito ao espaço da nação brasileira e depende de qual ator a reivindica. A responsabilização institucional, cobrada pelo Ministério Público de Minas Gerais, diminuiu ao longo do tempo, mas a responsabilização reivindicada moralmente pelos atingidos e seus representantes se manteve estável no transcurso do acontecimento, mesmo com a diminuição da cobertura da imprensa comercial. 

Segundo Wagner, dependendo de quem cobra responsabilidade, o ator a ser responsabilizado pode variar entre a Vale, a TÜV Süd, o Judiciário federal, Executivo estadual (Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e Governo de Minas) e o Executivo federal (Agência Nacional de Mineração). A responsabilização no contexto alemão se dá por meio de atingidos e seus representantes, com apoio de instituições europeias.

O pesquisador agradeceu às contribuições dos avaliadores, tanto no exame de qualificação quanto na defesa. “Foi uma jornada de muito empenho e de aperfeiçoamento da pesquisa após a qualificação. Agora vou me dedicar aos ajustes finais e espero que a tese possa colaborar nos estudos em Jornalismo sobre a responsabilização de atores públicos e privados em acontecimentos de grande impacto, algo ainda pouco explorado no nosso campo”.