Homenagem à Catarina Kasten na UFSC reforça luta contra o feminicídio

Memorial no CCE reúne amigos, estudantes e professores em ato que combina lembrança e denúncia da violência de gênero

O Jardim Catarina Kasten foi inaugurado no Dia Nacional da Mulher, 30 de abril, em ato realizado em frente à lanchonete do Centro de Comunicação e Expressão da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Em homenagem à estudante, vítima de feminicídio em novembro de 2025, o espaço reúne diversas espécies de flores, plantadas no ano passado por seu companheiro e colegas, uma placa informativa e um banco vermelho, construindo um memorial que combina lembrança e denúncia.

Na árvore ao lado do banco, Thalyta Argivaes, estudante e amiga de Catarina, também incluiu ao jardim um sino dos ventos azul: “eu escolhi esse com olho grego porque dá proteção, e a gente tá precisando nesses dias”. Enquanto ajudava a pendurá-lo, Alexandre Bello, vice-diretor do Centro de Educação (CED), que também a conhecia, completa: “sempre que a gente passar por aqui, vai lembrar dos olhinhos azuis dela.”

A homenagem reuniu amigos, estudantes e professores da universidade para celebrar Catarina e protestar contra o feminicídio. “A morte da Catarina nos convoca enquanto instituição”, declara a pró-reitora de extensão Olga Regina Zigelli.

“A raiva e a inconformação que a morte de Catarina nos trazem precisa ser combustível para transformarmos a sociedade”, afirma, emocionada, Alinne Fernandes, professora do Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras (DLLE). Enquanto ela falava, o sino dos ventos azul tilintava.

Thalyta, com lágrimas nos olhos, explica: “esse memorial não é pela nossa Catarina, a nossa Catarina a gente já perdeu. É por todas as outras Catarinas.” O sino tilintou outra vez. A amiga também explicou o motivo da cor do banco, de um vermelho vibrante: é para incomodar.

Um grupo de cinco amigas fez a revelação da placa. Alinne explica que os desenhos de pássaro e flores são reproduções das tatuagens que Catarina tinha no corpo, como forma de eternizar sua história e identidade.

No dia 21 de novembro de 2025, Catarina foi assassinada enquanto fazia uma trilha em Florianópolis, cidade promovida pelo marketing oficial como “a capital mais segura do país”. O caso, no entanto, não é isolado. Só neste ano, 12 mulheres já foram mortas em Santa Catarina simplesmente por serem mulheres, conforme o Observatório da Violência Contra a Mulher em Santa Catarina (OVM/SC). Em 2025, foram 1.568 no Brasil. Desde 2015, são mais de 13 mil.

O problema é estrutural. “É preciso que haja políticas efetivas de prevenção e proteção às mulheres”, reforça a professora Terezinha Silva, do grupo Transverso/UFSC, que tem coordenado projetos de pesquisa sobre a cobertura jornalística de feminicídios. Esse posicionamento reforça o sentido do protesto, que reuniu a comunidade não apenas para homenagear Catarina, mas para reivindicar mudanças.

No final do ato, os manifestantes ecoaram: “Catarina, presente. Agora e sempre!

Texto e fotos: Raissa Hübner (Transverso)