Machosfera: professora apresenta estudo em congresso

Terezinha Silva no VI VI Encontro da Rede Interinstitucional de Acontecimentos e Figuras Públicas, maio 2025

A professora Terezinha Silva, do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é uma das co-autoras do estudo “De delegado influencer a deputado federal: Paulo Bilynskyj e as pautas antifeministas”, apresentado no dia 23 de maio durante o VI Encontro da Rede Interinstitucional de Acontecimentos e Figuras Públicas, ocorrido na Universidade Federal do Piauí. O trabalho foi realizado em parceria com as professoras Denise Prado, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e Paula Paes, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Na pesquisa, ainda em desenvolvimento, as professoras estudam o caso do ex-delegado de polícia Paulo Bilynskyj, eleito deputado federal em 2022 pelo Partido Liberal, depois de uma trajetória na segurança pública e uma atuação em redes sociais digitais defendendo valores tradicionais e pautas antifeministas.   As pesquisadoras analisam a ascensão pública de Bilynskyj, que ocorre principalmente a partir de meados de maio de 2020, quando sua então namorada Priscila Delgado Barrios foi encontrada morta na residência em que moravam na cidade de São Bernardo do Campo em São Paulo, conforme noticiado à época pela imprensa brasileira. De acordo com a Polícia Civil, ela teria tentado matar o delegado e, em seguida, suicidou-se – versão contestada pela família de Priscila.  

Segundo as autoras, o estudo pretende colaborar com o avanço do conhecimento acerca das práticas da machosfera no Brasil, articulando-a com a discussão sobre indivíduos que se projetam e ganham status de celebridade a partir da sua atuação e dos valores que defendem.  Para elas, a análise do caso de Paulo Bilynskyj é relevante para mostrar  como um indivíduo emerge desses ambientes e discursos associados à machosfera para o cenário da política institucional no Brasil, defendendo práticas e valores relacionados à masculinidade tradicional, reafirmando papeis e estereótipos de gênero.

A professora Terezinha Silva é uma das participantes do projeto internacional “La ‘Manosfera’ en las redes sociales: produsage cultural para revertir los estigmas de género y la cultura del odio”, coordenado por professoras da Universidad Complutense de Madrid e que reúne pesquisadoras(es) da Espanha, Portugal, Estados Unidos e Brasil. Do Brasil participam também as professoras Daiane Bertasso (UFSC) e Fernanda Nascimento (PUC RS), todas integrantes do grupo de pesquisa Transverso (PPGJOR UFSC).